Associação Japonesa de Santos – Bunkyonet

Associação realiza 58º Undokai neste sábado (01/05)

Associação Japonesa de Santos

Postado em 30/04/2010 às 3:38

A Associação Japonesa de Santos promove, neste sábado, a 58ª edição do tradicional Undokai, maior evento da comunidade japonesa na Baixada Santista.

Neste ano, a festa terá um atrativo especial. Haverá uma barraca para a produção de tsurus (dobraduras de papel em forma de cegonha) para serem enviados à cidade irmã de Santos, Nagasaki, como forma de pedir a paz entre os povos de todo mundo. O ano de 2010 marca 65 anos em que a bomba atômica explodiu nas cidades de Hiroshima e Nagasaki.

Na festa, sempre realizada no feriado de 1º de maio, a partir das 8:00h, na Associação Atlética dos Portuários (Rua Joaquim Távora, 424 – Marapé), haverá as tradicionais gincanas esportivas e apresentações culturais de Taikô (tambo), Odori, Aiki do, Karate, entre outras, além de comidas típicas japonesas. São aguardadas mais de duas mil pessoas, caso não chova.

O QUE É UM UNDOKAI?

Traduzindo-se “ao pé-da-letra”, Undoukai ou Undokai significa “reunião ou encontro de esportes”. Entretanto, ao contrário da conotação altamente competitiva ou profissional que têm os encontros de atletismo, no Undokai todos os participantes são pessoas comuns, que não são necessariamente praticantes de uma modalidade esportiva específica. Sendo todos os participantes “atletas amadores”, convencionou-se traduzir Undokai como “gincana poliesportiva”.

O Undokai é um evento informal, um dia de fim de semana em família que reúne os descendentes de japoneses. Organizado por comunidades locais, as atividade são prioritariamente direcionadas às crianças, que podem brincar e interagir com outras crianças, com suas próprias famílias e com a comunidade. O senso de grupo é fundamental para a própria existência e realização de um Undokai (afinal de contas, sem a comunidade não há como organizar e fazer o evento acontecer).

Atualmente, os Undokais são realizados no Japão no mês de outubro – especialmente no dia 10, data em que se comemora o Taiiku no Hi (Dia dos Esportes). No Brasil, eles são realizados no mês de maio.

No Japão, onde espaço é sinônimo de luxo, as festas são realizadas em escolas, já que estas funcionam como bases da vida comunitária e pelo aspecto prático de possuírem espaço aberto para que eventos deste tipo possam acontecer. O Undokai é um evento aguardado e organizado com grande antecedência e ansiedade pela comunidade – dos alunos aos professores e administradores da escola, das crianças aos pais. Meses antes da realização do evento, comissões são formadas para montar barracas, angariar brindes e prendas, preparar objetos e acessórios que serão usados nas atividades e definir quem atuará na organização direta no dia do evento. Poucos dias antes do evento, o campo ou terreno da escola vira um formigueiro de atividade frenética. Adultos e crianças, todos trabalham. Barracas são erguidas, bandeirolas são penduradas, marcações são delineadas no chão, caixas de material são distribuídas, equipamentos de som e fios são instalados.

Na véspera, em casa, os preparativos continuam. Uma troca de roupa limpa para cada membro da família vai para uma sacola (todos vão correr, pular e se sujar para participar das brincadeiras ao longo do dia, e fica difícil enfrentar o caminho de volta para casa num carro com todos cobertos de suor e poeira). Mesas e cadeiras dobráveis são colocadas no porta-malas. Mães preparam bentõs (lanches para viagem) caprichados, suficientes para alimentar a família inteira que ao longo do dia ficará mais esfomeada ainda de tanto correr e pular, à base de onigiri (bolinho de arroz branco japonês) ou de musubi (bolinho de arroz temperado), sasami furai (tiras de peito de frango empanado), yakizakana (pedaços de peixe grelhado), tempurá (legumes empanados), kyuri sando (sanduíches de pepino e maionese em pão de forma), tsukemono (conservas de legumes como nabo, cebolinhas, acelga ou raiz de bardana) e umeboshi (pequena ameixa japonesa azeda). Caixas e cestas de piquenique com comida e bebidas preparadas de madrugada ou nas primeiras horas da manhã são rapidamente levadas ao carro, e a família segue para a escola. É preciso chegar bem cedo. Embora os Undokais comecem oficialmente às 9 ou 10 horas da manhã, filas para entrar e pegar bons lugares para se acomodar se formam às 6 ou 7 da manhã.

Como há atividades para todas as faixas etárias e ambos os sexos, é comum que parentes que morem fora da cidade, como avós, tios e primos, “engrossem” o grupo familiar no evento. Apesar da aparente simplicidade e de um ar de anacronismo que dá a impressão de que os Undokais não mudem há décadas, a popularidade do evento caiu nos anos 70 e 80, quando foi visto como algo arcaico e fora de moda. Criado no fim do século XIX – época em que a maior parte de seus participantes viviam em comunidades rurais – o Undokai passa por uma revalorização neste início de século XXI, por ser uma das poucas oportunidades do ano em que diferentes gerações de famílias, atualmente com estilos de vida urbanos e agendas cheias, se reúnem para desfrutar de um dia de diversão com sua comunidade. Resistindo ao tempo, e inspirando nostalgia de uma fase em que a vida parecia mais simples e menos violenta, os Undokais são eventos hoje de grande sucesso.

No Brasil, Undokais são realizados em clubes ou por associações de japoneses e seus descendentes. Tão popular e antigo que o primeiro realizado no Brasil foi feito antes mesmo dos primeiros imigrantes pisarem em terras tupiniquins, pelos passageiros que estavam a bordo do navio Kasato Maru em 1908 – o primeiro a trazer oficialmente um grande grupo de imigrantes pelo acordo assinado entre o Brasil e o Japão em 1895 – que ocuparam todo o deque superior externo do navio para assistir e participar das corridas e brincadeiras. Desde então, em terra, os Undokais passaram a ser realizados anualmente e tornaram-se uma tradição. Ao se estabelecerem no Brasil, os imigrantes sentiram necessidade de promover eventos de integração social e a realização da festa foi uma escolha natural, partindo-se do fato de que, independentemente de qual região ou província vinham as famílias de imigrantes, todos conheciam e sabiam como funcionava a dinâmica de um Undokai.



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